O que vem à sua cabeça quando falamos sobre inteligência coletiva?
Será que a inteligência coletiva é um conceito que enriquece
o intelecto das pessoas ou é um conhecimento falsamente adquirido por meio da
internet e meios de comunicação?
Para o autor Lévy (2003), a inteligência coletiva é aquela
que se distribui entre todos os indivíduos e que não está restrita para poucos
privilegiados.
O saber está na humanidade e todos os indivíduos podem
oferecer conhecimento; não há ninguém que seja nulo nesse contexto. Por essa
razão, o autor afirma que a inteligência coletiva deve ser incessantemente
valorizada. Deve-se procurar encontrar o contexto em que o saber do indivíduo
pode ser considerado valioso e importante para o desenvolvimento de um
determinado grupo.
O trabalho coletivo permite o desenvolvimento de redes, o
intercâmbio de informações e novas formas de acesso, construção e
compartilhamento de conhecimentos, valorizando dessa maneira os diferentes
saberes dos indivíduos envolvidos.
É importante mencionar que essa reunião, entre pessoas que
não ocupam o mesmo espaço fisicamente só poderá acontecer por meio das mediações das tecnologias da
informação e comunicação.
A inteligência coletiva visa a tornar o saber a base
principal, a infraestrutura das relações humanas. Ela só poderá de fato ocorrer
em um determinado espaço, o qual Lévy (2003) nomeia como Espaço do saber.
A Inteligência coletiva só progride quando há cooperação e
competição ao mesmo tempo. Ou seja, a capacidade de se trocar ideias
facilitando assim a geração do conhecimento. O trabalho coletivo está cada vez
mais ganhando forças no nosso cotidiano, precisamos pensar em resolução de
problemas coletivamente, para se chegar a melhores resultados.
Levy aponta que a inteligência coletiva tem a ver com
software livre, blogs, TV digital e educação à distância e propõe que o uso da
internet para a troca de conhecimento, seja cada vez mais presente no nosso dia
a dia.
Lévy dá exemplos em seu livro, Ciberdemocracia, de sites
governamentais que se aproveitam da facilidade de comunicação com a população
para debater temas relevantes para toda a sociedade. O crescente uso de
ferramentas que auxiliam o trabalho cooperativo, também demonstra uma
convergência necessária para a inteligência coletiva.
Levy, afinal de contas, luta por uma sociedade mais
democrática e inclusiva, na qual as identidades dos indivíduos são construídas
no saber, permitindo assim o encaminhamento a uma real democratização da
informação.
LÉVY, P. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. 4.ed. São Paulo: Loyola, 2003.
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